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"Se quer me prender, me deixe livre"

Aprendi a apreciar a liberdade com meu pai. Esse cara é maluco pela liberdade de poder escolher onde ele quer estar, mesmo que as escolhas sejam limitadas. Acho que por isso nunca pedi para que ninguém ficasse. Pedir isso seria roubar-lhes o direito de escolher, e escolher é definir a si mesmo, viver a própria vida bancando as próprias escolhas. Se eu pedisse para que ficassem só para que satisfizessem o meu desejo, não seria por amor a eles, mas, sim, por amor a mim mesma. Impedir que façam suas próprias escolas é impossibilitar também que sejam quem são (nossas escolhas nos definem!). Como amar alguém que não se define, vivendo a vida que decidiram por eles? Narcisismo ou ilusão? Escolham o nome que querem chamar.
É certo que não somos tão livres assim. O sistema em que vivemos poda nossas asas a ponto de o fato de termos um leque maior de possibilidade assusta a maioria das pessoas. A liberdade que eu dou a quem eu amo as assusta ou as fazem acreditar que não as desejo por perto. O que elas não sabem é que essa é a minha forma mais genuína de amar. Procuro dar às pessoas aquilo que eu gostaria de receber delas, mesmo não sendo recíproco. Gosto tanto da liberdade que não desejo prender ninguém. Pelo contrário, aprecio quando escolhem ficar porque desejam isso para si.
Isso, porém, não significa, de modo algum, que deixa-las ir não me afeta. Deixei-as ir mesmo querendo muito que ficassem porque eu respeito as escolhas alheias. Com frequência, me vejo tombando nas consequências das minhas escolhas que, na maioria das vezes, vão de encontro aos meus desejos. Sustentar esse tipo de escolha é ainda mais difícil, mas é quando dói mais em mim que eu sei que o caminho do outro não era o mesmo que o meu e que seria um erro impedir-lhes de seguir em diante. O que me conforta, em meio à angústia, é saber que, no fim das contas, eu os respeitei. Admiro quem sustenta o peso de escolher. Me apaixono pela coragem daquele que escolheu seguir, mesmo tendo medo do que se perde ao escolher.
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