Por que "Eyes never lie"?

 




 "Desde que você foi embora, eu passei a gostar um pouco mais dos meus olhos... Porque olhá-los me faz me lembrar de você e de sua admiração por eles."

    De todas as partes do meu rosto, aquilo de que gosto mais são meus olhos. Curiosamente, esse par de olhos "extraordinariamente grandes e belos", como ele costumava chamar, atraiu a atenção da pessoa que me deixou marcas estranhamente bonitas. Há uma certa beleza naquilo que só acontece no mundo das ideias. Aquilo que não acontece na realidade carrega consigo o peso do "quase"... do "e se" e tem a aparência da nossa idealização mais criativa. Ele me disse que tinha receio de eu ser apenas o produto daquilo que ele queria que eu fosse: fruto de uma projeção. Ele também confessou que, com o tempo, ele percebeu que eu não o era. Será que tivemos tempo o suficiente para saber se somos mesmo aquilo que imaginamos um do outro? Essa resposta eu jamais terei porque no dia em que eu o vi pela última vez eu nada pude fazer pra parar o tempo e morar em seu olhar.                                                     

 O que nos fez nos aproximarmos foi o fato de enxergarmos um no outro aquilo que não mostrávamos por ai. Através dos meus olhos, ele enxergou em mim uma parte dele que hoje ele não ousa acessar. Eu enxerguei nele uma parte de mim que silencia por não se encaixar em lugar nenhum, mas que ainda está viva por aqui porque foi ouvida, vista e compreendida, mesmo que por um curto espaço de tempo. Contudo, queridos leitores, devo alertá-los para que não façam pouco caso dos olhos, pois eles não mentem apenas para quem sabe apreciá-los. 
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